Desejo que este espaço seja um local que você tenha prazer de participar, e que nossas trocas intelectuais, culturais, emocionais e espirituais resultem em acréscimo para todos nós.  A intenção deste blog também é de publicar algum artigo que você tenha produzido, para que todos aprendamos sobre os mais diversos temas. Enfim, que este seja um local
aconchegante para você.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

BI CAMPEÃO DA LIBERTADORES



INTER, TE AMO!

Regina M. Fabrício - Psicóloga das Categorias de Base do Sport Club Internacional

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Solidão contente

O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas -

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão. Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha. Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas. “Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor. Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre. A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói. Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade. Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda. Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer. Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha. Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.

Ivan Martins, jornalista (Época)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

EXPERIÊNCIA

" O texto abaixo foi-me enviado por um dileto amigo,
José Antônio Lague que, assim como minha amada Fabi,
deixam saudades por morarem longe."

Redação escrita por um candidato à vaga na Empresa Volkswagen

No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta:
'Você tem experiência'?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos.
Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas...
Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda..
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua. Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:'Qual sua experiência?'. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O futebol e os brasileiros

Bruno Fabrício Cruz

É em época de Copa do Mundo, quando o Brasil se veste de verde e amarelo para torcer por sua Seleção, que percebemos as sutis diferenças entre os povos de cada país, e como o brasileiro é uma gente diferenciada. O nosso futebol expressa a própria personalidade de nossa população. A habilidade de Robinho e Kaká com a bola demonstra a mesma destreza com que sobrevivemos em um Estado com políticos desonestos, falência da saúde pública, alta criminalidade, etc.

O brasileiro, apesar de todos os problemas que o acometem, de fato, não desiste nunca. E isso porque os desafios servem para serem superados. Nossa gente é criativa, batalhadora, auspiciosa, em sua maioria. Possuímos uma visão de vida diferente dos demais países. Perto de nós, alguns povos são quase ingênuos, inocentes, e isso se reflete no futebol.

Romário deixou os adversários tontos em 1994, com suas jogadas rápidas e eficientes, quando conquistamos o tetracampeonato mundial. Igualmente Ronaldo, em 2002, com o penta, principalmente na final, quando derrotou o inabalável goleiro da Alemanha com dois lindos gols. O fantástico Pelé, nas Copas de 1958, 62 e 70, driblando os jogadores das outras equipes como se estes fossem amadores em campo. Esses craques da bola vieram de baixo, eram pobres, mas tinham características excepcionais. Sobressaíram no futebol e ascenderam para uma condição econômica almejada por muitos. Eles são, com certeza, os nossos heróis. Exemplos de que a situação quando do nascimento não determina o destino de ninguém. Não eram soldados, mas lutaram em uma espécie de guerra. Assim como a Copa do Mundo é um conflito simulado de nações.

Tenho que o futebol é uma distração, um esporte para entreter as massas, como as lutas de gladiadores na Roma antiga. Porém, diferentemente daqueles guerreiros, no futebol toda a nação está torcendo por aqueles jogadores de uniforme canarinho, que, efetivamente, estão representando a pátria. No campeonato mundial, o torcedor não está comemorando os problemas sociais do Brasil. Está, sim, celebrando a vontade de vencer de nosso sofrido povo. As coisas boas que o Brasil possui – com efeito, temos muitas. E aqui está a íntima relação do brasileiro com a sua Seleção. Mesmo para aqueles que não acompanham o futebol, a respeitada camisa amarela sempre será sua identificação em qualquer lugar do mundo.

Os demais povos sentem simpatia pelo brasileiro, seja na Itália, no Canadá, ou no Afeganistão. Em todos os lugares do planeta, a primeira coisa que sempre ouvimos é: Pelé, Ronaldinho, Kaká. E isso não é motivo de vergonha, pelo contrário, devemos ter orgulho de nosso talento em campo, a marca do carisma de nosso povo. Precisamos do futebol, é o nosso incentivo para trabalhar a cada dia e, para muitos, a única alegria. Coitados daqueles países que não possuem uma seleção como a nossa.

É por isso que nesta Copa do Mundo, mesmo não entendendo muito desse esporte e não gostando da escalação do Dunga, vou torcer entusiasmado pela Seleção Brasileira.

domingo, 13 de junho de 2010

Lucidez do Pastor

Excelente reflexão!!!


O jovem Pastor Ed René Kivitz lançando um de seus livros

Parece mentira, mas foi verdade. No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos atual campeão paulista de futebol foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas. O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral.

Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou.

Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo
(24a), Marquinhos (28a) e André (19a) – todos ídolos super-aguardados.

O motivo teria sido religioso: a instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é Assistência à Paralisia Cerebral

Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Jr. tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade. Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente porque não quiseram.

Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.

Eis que o escritor, conferencista e Pastor (com Pmaiúsculo) ED RENÉ KIVITZ, da Igreja Batista de Água Branca (São Paulo), fez uma análise profunda sobre o ocorrido e escreveu o texto "No Brasil, futebol é religião", que abaixo tenho o prazer de compartilhar.
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No Brasil, futebol é religião por Ed Rene Kivitz

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.
A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a
intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio
de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de
superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho


OBS: Na refilmagem do Voo da Fênix, 2004, com Dennis Quaid, num diálogo diante de tão conflitante decisão, um dos membros do grupo já resumia tudo isto na frase " a religião afasta e desune as pessoas, ..."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

COMO VIVER A VIDA, SEGUNDO A GLOBO

È fato: as novelas da Globo e seus programas de grande audiência continuam ditando normas, valores e costumes. Volta e meia ouvimos alguém soltar famosos bordões como “hare baba”, “tô certo ou tô errado?”, “né brinquedo não”, “ishalá”, e outros consagrados pelos folhetins globais.
Antes que alguém levante a mão para perguntar, esse texto tem, sim, muito a ver com Administração. Qualquer evento que influencie, direta ou indiretamente, o nosso comportamento é extremamente importante para a forma como conduzimos os nossos negócios. Não é à toa que os grandes anunciantes disputam a peso de ouro o horário nobre da televisão brasileira – bem como os próprios atores. Da mesma forma, as grifes (re)direcionam suas coleções aos estilos exibidos pelas belas e influentes atrizes das novelas, mesmo que essas se passem em lugares exóticos como Índia e Marrocos, ou genuinamente brasileiros como Barretos, Rio e São Paulo. Até pouco tempo atrás, muitas moças estavam usando parte do sutiã à mostra, para imitar o modelito de Norminha, a simpática – e faceira – personagem interpretada recentemente por Dira Paes. Novelas ditam modas e, como administradores, devemos estar atentos.
Espanta-me essa última, que traz o curioso título de “Viver a Vida”. Apesar de apresentar depoimentos emocionantes de pessoas reais que superaram grandes problemas no final dos episódios, Viver a Vida dá um show de deturpação de valores do começo ao fim de cada capítulo.
Normalmente, as obras de ficção dividem claramente as pessoas entre boas e más, o certo e o errado são evidentes, e nos colocamos a torcer pelo sucesso do protagonista e o castigo dos vilões, como o fizemos em A Favorita, com o duelo entre Donatela e Flora.
Na novela de Manoel Carlos, esse dualismo não existe. Com a desculpa de aproximar seus personagens da realidade, o autor lhes confere virtudes e defeitos. Entretanto, paira um ar de normalidade sobre todas as safadezas cometidas pelos personagens, que eu chego a me perguntar o que ele quer dizer, realmente, com “viver a vida”.
Viver a Vida é uma novela onde praticamente todos os personagens enganam uns aos outros. O marido trai a esposa com a prima dela, a esposa trai o marido com o cara da academia, o outro troca a companheira de uma vida inteira por uma modelo 30 anos mais jovem , que agora já vive um affair com o sujeito que conheceu no meio do deserto (que corre o risco de ser filho de seu próprio marido), irmãos (gêmeos!) disputam a mesma garota… ufa! E tem muito mais, mas não quero tirar a paciência do leitor com essas picuinhas.
Onde mora o perigo?
Diversos estudos, em especial os conduzidos pelo Prof. Robert B. Cialdini, da Arizona State University, demonstram que temos uma grande tendência a fazer o que a maioria faz – mesmo que seja um comportamento socialmente indesejável. Segundo Cialdini, somos naturalmente maria-vai-com-as-outras*.
Manoel Carlos gasta o seu latim para provar que trair é algo normal, que todo mundo trai todo mundo e não há nada reprovável nisso. Pelo contrário: é até algo bonito, poético. As puladas de cerca ocorrem sempre com o belíssimo pano de fundo da cidade maravilhosa ao entardecer, do alto de uma asa delta, ou nas areias paradisíacas de Búzios, ao som de uma belíssima trilha sonora. Sei lá, sei lá…
Há algum tempo, havia em minha cidade um jornalzinho que circulava entre os colégios, cuja maior atração eram os recadinhos que os alunos postavam uns para os outros. Depois que Aline Moraes interpretou uma jovem lésbica em uma novela, houve uma explosão de recados (românticos) de garotas para garotas. Não estou fazendo juízo de valor no que diz respeito às escolhas sexuais de ninguém. Entretanto, desconfio que muitos desses recados não tinham nada a ver com a sexualidade dessas garotas. Elas apenas queriam ser a Aline Moraes… Imagino que, se a personagem da bela atriz fosse interpretada por Regina Casé, o efeito no jornal teria sido nulo ou completamente inverso.
Mesmo sabendo que o comportamento é uma potente fonte de influência social, geralmente as pessoas que participam de estudos de psicologia social dizem com veemência que o comportamento alheio não influencia o seu próprio. Você aí do outro lado também deve estar dizendo que isso é uma grande besteira, que você não é influenciado por novelas, nem por ninguém. Beleza. Mas, com certeza, você conhece um monte de gente que adora seguir a maioria.
O perigo está na mensagem, repetida diariamente à exaustão, justamente no horário em que a maioria dos televisores sintoniza a rede do plim-plim. Muita gente assimila o comportamento dos personagens como adequado, moderno e normal. A novela de Manoel Carlos é a receita para o fracasso de uma sociedade que tem (ou já teve?) na família o seu mais firme alicerce. Viver a vida, de verdade, é muito mais do que isso. Tô certo ou tô errado?

Fonte: Revista Você S/A -http://vocesa.abril.com.br/blog/leandro/2010/01/20/como-viver-a-vida-segundo-a-globo/

Por Leandro Vieira

quinta-feira, 8 de abril de 2010

UM DEPOIMENTO SOBRE LUTO

Breve Histórico

Nossa mãe, Maria Carmem , apresentou os primeiros sintomas de uma doença neurológica degenerativa em 1999. De 2001 em diante permaneceu acamada, com perdas significativas de suas capacidades num processo de enfermidade longo e penoso , tanto para ela quanto para os que a amavam, e era muito fácil amá-la. Ela era uma pessoa tão bacana que fica difícil de descrever . Sua fé no Salvador a fez uma pessoa tão diferente, que revelava algo que transcendia tudo e isso foi o amor que soube comunicar .Foi necessário aprender deixá-la partir .



A despeito da sua fragilidade soube ser força e fortaleza para enfrentar tanto a vida como a morte , ambas de frente , num sorriso maroto e único .

Somos os agraciados de Deus por sermos seus filhos, e agora, entre irmãos , compartilhamos tão doces lembranças a respeito de uma mãe simplesmente encantadora.

Obrigada a Deus que no-la deu , e por abrigá-la agora junto a Si, num lugar onde não existe dor nem sofrimento .Obrigada ao CPPC e aos amigos pelo carinho e terno abraço que têm nos dado, expressão do Espírito Santo , nosso Consolador.



( o texto abaixo foi escrito 32 dias antes de sua morte )



SAUDADE





Amada mãezinha:



A despedida é longa , sofrida...
mas tudo ficará sereno depois da partida.
O coração despedaçado porque já não estás na janela acenando antes da escola ,
nem há o beijo na face quando do encontro.
Hoje já nem abres os olhos ,
nem vês teus filhos ao teu redor...
a alma tocada pela saudade,
e certos do teu grande e imerecido amor por todos nós.
Tudo é tão cheio de lembranças...
do teu beijo fiel de boa noite que acalmava o temor dos fantasmas
no imaginário infantil.
O aroma da refeição preparada com tanto talento e zelo...
e o colo quente e perfumado no aconchego do teu seio...
que nos serenava as lágrimas seja qual fosse a causa da dor ,
algumas vezes não física, mas por origem o desamor de uma paixão.
Teu sorriso radiante repleto de ternura
e tua inabalável fé...
Foste tu que nos ensinaste o Caminho do amor , da Verdade e da Vida
e a balbuciar o doce nome de Jesus.
Contigo aprendemos a juntar as mãos de pequenos na prece ,
...e a sermos agradecidos.
Não por acaso foi num dia de Corpus Christi que te entregaste mais a Ele...
Ele te chamando e tu indo...
e foi do mesmo modo no dia Internacional da Mulher.
A cada vez te abandonas mais e mais...
e deixas conosco as recordações dos presentes sem data especial ofertados com tanto carinho
e das festas de aniversário decoradas com heróis e castelos de princesas
que preparavas com tanto empenho para vivenciarmos a magia
como era também no Natal com a árvore tocando o teto
e na Páscoa " a marca das patinhas do coelho "
para seguirmos até os ninhos na trilha do chão .
A bondade nas tuas formosas mãos preparando o remédio
e os curativos resultados das brincadeiras de crianças.
És como um poema, uma canção, e o significado do teu nome é
VINHEDO DO SENHOR.
Sempre foste uma mulher tão grande e à frente do teu tempo...
alegre , divertida , generosa ,
livre como os passarinhos que alimentavas todos os dias na janela...
cheia de intensa vida no teu espírito ...
És e serás sempre nossa Rainha,
e diante de Deus a exemplar serva,
que pensava antes nos pobres e desvalidos e por último em si ,
no afeto distribuído sem medida.
Recebe tua coroa da vida, teu galardão ,
teu justo prêmio por teu coração .
Vai amada , agora , receber de Deus, o luminoso sorriso Dele
porque diante da Face do Absoluto na Sua Glória ,
terás tudo , por toda a eternidade ...
E aí , um dia , no apertado abraço do reencontro ,
passearemos todos juntos no Jardim do Senhor.
Nós te amamos.
Com amor ,
tua filha Rê.





*Maria Cármen Medeiros Fabrício faleceu em 10/04/2007 , uma terça-feira , às 8: 30 h da manhã ., de falência múltiplas de órgãos .Em 26 /05/07 completaria 76 anos. Seu versículo predileto era : "Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele , e o mais Ele fará. " Salmo 37 : 5

A HISTÓRIA DE CARMINHA

Corria o ano de 1931.
O inverno chegou mais cedo nos pagos do Rio Grande, trazendo o frio, o minuano, a umidade, a geada, o silêncio e a solidão aos campos missioneiros.
Mas, no campo dos Medeiros, em uma fria madrugada, um choro de criança recém nascida corta o silêncio.
Aristides abre um longo sorriso no rosto sério de chefe de família; lágrimas de felicidade escorrem pela face serena e suave de Irene – a casa dos Medeiros recebia com paz e harmonia aquela criança que vinha ao mundo na solitária madrugada.
Era uma menina, de nome Maria Carmem, mas de Carminha a vida inteira seria chamada.
Nasceu de 7 meses, com a saúde frágil.
Em razão disso, a mãe enrolava a guria em roupas de lã e, para protegê-la do frio que trazia dentro de si, a embalava, cantarolando cantigas de ninar, próximo do fogão à lenha que havia na cozinha.
Não adiantava, embora os redobrados cuidados da carinhosa Irene.
A Carminha seguia chorando, lutando contra a frágil saúde, agravada pelo parto prematuro, pelo frio, pela umidade, pela geada e pelo minuano.
Mas a guria tinha o sangue Medeiros nas veias – lutar estava no seu destino.
Que viesse a vida e suas lutas.

II –
Aos poucos, a brava Carminha foi superando os problemas de saúde, embora o inverno sempre a castigasse com rigor e constância.
Primogênita do casal, tornou-se companheira inseparável da mãe, seu exemplo e modelo por toda a vida.
Por isso, sofreu quando teve de partir para o internato, em Cruz Alta, onde cumpriria o ritual das filhas das famílias missioneiras nos anos 30 e 40: cursar o Segundo Grau da época (cujo nome, então e durante muito tempo, era curioso: “Normal”).
Finalizado o Segundo Grau, era o momento de despedir-se das amigas de Internato (que jamais a esqueceriam, por toda a vida) e tornar à casa paterna.
Pois às moças do Rio Grande, à época, era incogitável fazer Faculdade.
Bastava ser moça prendada, “de boa família”, e ter finalizado o Segundo Grau para sonhar com o dia em que o príncipe bateria à sua casa, pedindo a sua mão em casamento.
Era o destino das moças de então.
E foi o destino que Carminha cumpriu à risca.

III –
Um par de anos depois, por volta dos 20 anos, o pai preparava-se para viajar à Bossoroca, terra e querência dos Fabrício.
(Quem conhece a história da Bossoroca, sabe que a crase acima não está errada).
A mãe insiste para que Carminha acompanhe o pai naquela viagem.
Carminha, caseira e apegada à mãe, queria ficar.
Irene, pra convencer a filha, disse, então, sorrindo:
- Vai, Carminha. Talvez tu conheças um moço bonito pra ser o meu genro.
Carminha, sorrindo, acatou o pedido da mãe.
E viajou à Bossoroca, acompanhando o pai, Aristides.
Na volta, dois dias depois, a mãe pergunta, de novo sorrindo:
- E então? Conheceste o moço bonito que vai ser o meu genro?
E Carminha, sorrindo sem jeito, respondeu:
- O único moço que eu conheci foi um chato que passou o almoço inteiro falando de um crime que aconteceu não-sei-aonde…

IV –
Um ano e pouco depois, em Santo Ângelo, Capital Missioneira, Carminha voltou a se encontrar com o moço da Bossoroca, no casamento de uma grande amiga de Internato, Helena – que, por coincidência, era prima dele.
Mas não dançaram – a saúde frágil de Carminha voltou a se manifestar naquele rigoroso inverno de julho de 52, a ponto de ter de ser hospitalizada.
Quatro dias depois, o moço da Bossoroca a visita no hospital.
O moço se chamava Newton (mas ela gostava mais do apelido, Nito. Talvez porque, alegre como era, imagino que brincasse com Irene: - Mãe, a senhora queria um genro bonito. Tá aqui o Nito).
Era o destino na vida de Carminha.
E a vida, em breve, lhe traria uma alegria e uma tristeza – pouco tempo depois do noivado, perderia a mãe, seu modelo e referência, que partiu para a Eternidade com apenas 46 anos, vitimada por doença fulminante e inesperada.

V –
Casam em 8 de janeiro de 55.
E atravessam a vida superando juntos os reveses que ela sempre apresenta.
Tiveram momentos tristes e alegres nos 52 anos de casados.
Mas as alegrias foram, imensamente, maiores.
E imensamente maior o Amor que dedicaram aos 5 filhos e 7 netos.

VI –
Mas a saúde frágil lhe reservou um fim cruel.
Passou os últimos 7 anos da sua existência lutando, como foi o seu destino, com dignidade pela vida.
E o moço da Bossoroca, já perto dos 80 anos, foi marido e companheiro, solidário e exemplar ao seu lado, nos 7 anos que passou deitada, no entardecer da vida.

VII –
Penso em tudo isso quando olho para aquele frágil corpo deitado no triste caixão.
Como ela conseguiu chegar às vésperas dos 76 anos, apesar da saúde frágil desde o berço?
Penso que foi graças à capacidade de lutar, de amar a vida e os seus semelhantes, de ser solidária e generosa.
Acima de tudo, foi pelo Amor que dedicou a toda a família, aos Medeiros e aos Fabrício – e a sua imensa fé em Deus.
Mas há mais a pensar.
Penso no que aprendi com ela.
Aprendi muitas coisas que ela me ensinou.
Mas, acima de tudo aprendi com o seu exemplo.
E foi dela que herdei a indignação com as injustiças do mundo.
(E, na exata contrapartida, foi com o exemplo do meu pai que aprendi a agir, sempre, com a Razão; por mais difícil e árdua que seja a situação que se apresente e por maior que seja, na origem, a indignação, as razões da lógica são as que me conduzem, sempre).
E foi com ela que aprendi o sentido, o valor e o significado da palavra solidariedade.
Pois ela dedicou aos 5 filhos e aos 7 netos um Amor sem igual, como se cada um de nós fosse o único.
Mas isso não a impediu de liderar campanhas de solidariedade em relação a pobres e desamparados.
A maioria, pessoas que ela sequer conhecia.
Pois a generosidade era um traço marcante na sua personalidade.
E com todo o Amor que dedicou a cada um de nós, os 5 filhos, se dependesse dela seríamos 6 – porque sofria um Amor de mãe quando via um negrinho pedindo esmolas na esquina.
Se dependesse dela, teria adotado o primeiro negrinho que visse pedindo esmolas na esquina.
A ti, brava Carminha, minha mãe, o meu abraço, o meu agradecimento e o meu respeito.
O último beijo eu já te dei.

Newton Luís Medeiros Fabrício
Obs: por favor, não me envies mensagens de pêsames.
Se queres fazer algo, faças algo pelo primeiro negrinho que tu encontrares pedindo esmolas na esquina.
Porque isso é o que a Carminha – e seu coração, imenso, solidário e generoso – gostaria que fosse feito.

sábado, 3 de abril de 2010

É PÁSCOA

Aos estimados visitantes do blog:

agradeço vocês prestigiarem o Condado, lembrando especialmente agora que a nossa Esperança em Cristo como Salvador renova nossas forças na certeza da Ressurreição.

Meu agradecimento especial a Merton e Jean K.Wondracek, por colaborarem comigo , de modo inestimável, na publicação .



QUERIDOS AMIGOS E FAMILIARES!!!!





PÁSCOA ESPECIAL

Resolvi fazer uma mensagem de Páscoa
bem bonita e cheia de carinho,
para que pudesse homenagear
a nossa amizade.

Pensei em algo simples,
pois meu desejo é um só:
Te deixar mais feliz...

Te fazer sentir o quanto é importante
ser amigo, um algo assim para
te deixar de alto astral!

A vida agitada nos deixa
um pouco de fora da vida
dos amigos, e no nosso dia-a-dia
parece que não sobra tempo
para dizermos o quanto as
pessoas que estão ao nosso redor
são importantes para mim...

Senti necessecidade de dizer
o quanto você é importante...

E foi por isso que eu resolvi aproveitar
esta época de Páscoa para largar
tudo o que estava fazendo e
te mandar esta mensagem...

Quero dizer que sua amizade
é preciosa para mim e que você
estará sempre num lugar especial
dentro do meu coração.

A Páscoa é amor, é fraternidade, é União..
Meu desejo é que sua Páscoa
seja muito feliz e que eu
possa continuar tendo uma amizade
tão especial como é a sua!

Feliz Páscoa!!!!